Las Casas
1.5K posts

Las Casas
@qith0476
𝐂𝐨𝐦𝐮𝐧𝐢𝐬𝐭𝐚. Tal qual Bukhárin, incapaz de compreender a dialética. O campesinato é um fardo histórico que me recuso a romantizar.






2. Aqui fica interessante, e foi até na minha visão, a pior coisa. O Machado afirma que o livro do Thiago Braga é "monofásico" e só traz autores de uma única vertente ideológica (contra-apologistas). Essa afirmação é intelectualmente desonesta e facilmente desmentida abrindo as últimas páginas do livro. O livro cruza dados de pelo menos quatro tradições historiográficas e teóricas distintas, colocando frente a frente visões que a própria academia debate há décadas. Thiago utiliza desde o campo Marxista Clássico e Dissidente (Karl Marx, Friedrich Engels, Leon Trotsky e o pai do marxismo ortodoxo, Karl Kautsky) até a chamada Escola Totalitária (Richard Pipes e Dmitri Volkogonov). Ele também recorre extensamente a estudos modernos focados em História Social e análise econômica de classes (Sheila Fitzpatrick, Stephen Anthony Smith, Michael Ellman, R.W. Davies e S.G. Wheatcroft) e a renomados Historiadores Militares e Diplomáticos (Max Hastings, Antony Beevor, Roger Moorhouse e Geoffrey Roberts).


6. Gustavo recorre a um malabarismo demográfico para ironizar o papel dos "militares" na Revolução de Outubro. Ele argumenta que o exército era feito de operários e camponeses fardados e que, portanto, a revolução foi "dos trabalhadores". Uma distorção sociológica gritante. Dizer que os soldados eram originalmente operários e camponeses convocados é um truque retórico. No momento em que recebem armas, fardas, treinamento e são organizados em guarnições, eles passam a responder a uma hierarquia e dinâmica de poder militar. O que definiu o sucesso de Outubro não foi a extração social abstrata desses homens, ok? Não caia nesse papo, foi o poder de coerção das baionetas que eles carregavam. A Revolução de Outubro não foi decidida por uma paralisação de fábricas ou por comícios de rua. Ela foi executada pelo Comitê Militar Revolucionário de Petrogrado, liderado por Trotsky, que mobilizou unidades armadas específicas, marinheiros de Kronstadt e as Guardas Vermelhas para cercar o Palácio de Inverno e capturar os pontos estratégicos da cidade (pontes, correios, estações). Foi uma operação tática de milícias e guarnições militares. Se o Gustavo Machado acha que foi um movimento genérico dos trabalhadores nas fábricas, ele está contradizendo o próprio organizador do evento. Em sua obra História da Revolução Russa, Trotsky deixa claro que a insurreição foi planejada detalhadamente de cima para baixo como uma operação de engenharia militar pelas forças armadas subordinadas ao Soviete. O Thiago Braga está coberto de razão ao apontar o papel decisivo da força militar bolchevique.

Sobre esse tweet, o ponto do Gustavo não é comprometido. Os Soldados Russos eram convocados das fileiras dos trabalhadores e camponeses e carregavam consigo suas frustrações e sua revolta quando entraram dentro do Exército. É claro que a o Exército promove uma socialização (+)

