Almanaque da Copa 2026

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O Almanaque da Copa é uma publicação especial, voltada para a Copa do Mundo de 2026. Assine a newsletter gratuitamente e leia por completo. Por Leandro Stein.

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Queridos, O Almanaque da Copa é feito pelo exército de um homem só, com muito carinho, muita dedicação e também muito suor. São horas e horas de pesquisa e escrita todos os dias. Se você vem gostando do trabalho, por favor, ajude mais gente a conhecer. Viralizar é mais difícil quando a ideia são textos longos, mas quem realmente gosta de ler sobre futebol e de boas histórias pode curtir. A cada dia, até a véspera da Copa, serão dois guias: o Guia Histórico e o Guia de Origens. Até o momento, sete textos de cada guia (e 14 seleções de cada) já estão no ar. Bora fortalecer? =) Assine a newsletter para receber todo o conteúdo gratuitamente: almanaquedacopa2026.substack.com
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A ascensão da seleção da República Democrática do Congo nos últimos anos contou com o recrutamento dos filhos da diáspora, mas não é que os Leopardos viessem de períodos irrelevantes antes disso. Por mais que os congoleses completassem 52 anos longe dos Mundiais, na última década fizeram campanhas interessantes na Copa Africana de Nações, em que se apoiavam nos talentos locais. Aos 32 anos, Fiston Mayele pintou há menos tempo nas convocações, mas é um centroavante lapidado no futebol africano. A joia bruta que possibilitou a primeira vitória de RD Congo em Copas e a classificação inédita aos mata-matas. Mayele nasceu e cresceu na República Democrática do Congo, onde os conflitos locais não impediram sua progressão no futebol. O atacante defendeu diferentes clubes congoleses, entre eles o Vita Club, potência da liga. Quando se transferiu, foi para a Tanzânia, para ser artilheiro do Young Africans. Já em 2023, assinou com o Pyramids. Protagonizou as primeiras conquistas do clube egípcio, entre elas a Champions Africana em 2025. O sucesso de Mayele no continente africano era tamanho que, mesmo com os olhares da seleção cada vez mais voltados aos clubes europeus, ele não pôde ser ignorado. Convocado pela primeira vez em 2021, ganhou mais espaço dois anos depois. Disputou duas edições da Copa Africana de Nações e, sem ser titular, se estabeleceu como uma opção de segundo tempo nas Eliminatórias. Cobrou um dos pênaltis na final da repescagem africana contra a Nigéria, apesar de ter ficado no banco na classificação sobre a Jamaica. Mayele é o único convocado pela RD Congo que atua no continente africano. Não entrou em campo nas duas primeiras partidas. Contra o Uzbequistão, substituiu Cédric Bakambu e ajudou a mudar a cara do jogo. Desinibido, arriscou bastante. Seu gol, o segundo dos Leopardos, possibilitou a virada. O centroavante se antecipou ao goleiro e mandou para dentro a bola mascada. Mostrou ao mundo o que o futebol da África já conhecia: seu instinto artilheiro.
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A Copa do Mundo parecia não ter sido feita a Giovani Lo Celso. Aos 30 anos, frequente na seleção desde 2017, o meia não tinha entrado em campo um minuto sequer em Mundiais. O novato teve que esquentar o banco na bagunçada Argentina de 2018. Já em 2022, titular às vésperas do torneio, uma lesão na reta final de preparação tirou a chance de ser campeão. O senso coletivo da Albiceleste de Lionel Scaloni, todavia, vai além daqueles que jogaram no Catar. Por isso, os primeiros minutos de Lo Celso numa Copa foram tão significativos. Melhor, com um gol de falta contra a Jordânia que rendeu uma entusiasmada comemoração. Lo Celso já tinha outros motivos para se orgulhar de sua trajetória na seleção. Foi titular no meio-campo da equipe que quebrou o jejum na Copa América de 2021. Esteve presente também em todo o ciclo de 2022. Não dá para saber qual seria seu impacto no time campeão do mundo, em lacuna que auxiliou a promoção de Alexis Mac Allister pelo lado esquerdo do meio-campo. Sua contusão é uma infelicidade à qual todos os jogadores estão sujeitos. Uma das coisas mais legais feitas pela Argentina foi levar Lo Celso para acompanhar o grupo no Catar. Já no primeiro jogo após o tricampeonato, enquanto celebrava os campeões, a seleção homenageou os que perderam a Copa por lesão – Lo Celso entre eles. Recuperado, o meia voltou aos planos de Scaloni. Não era mais titular, mas continuou como uma opção frequente no segundo tempo. Enfim, chegou a uma Copa saudável. Reserva nas duas primeiras partidas de 2026, Lo Celso assumiu a titularidade no time misto contra a Jordânia. Fez uma boa atuação na armação. E, quando teve a chance, numa falta na entrada da área, aproveitou o vacilo: com malícia, mirou no canto do goleiro e estufou as redes. A comemoração emocionada teve beijos no escudo com três estrelas, além de um abraço coletivo dos companheiros. Sabiam o valor de um gol que pode não ter uma importância tão grande no contexto do torneio, mas concretiza a redenção do meia.
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A sombra da Copa do Mundo de 1982 pairava sobre Kansas City. Era impossível dissociar o Áustria x Argélia do que ocorrera há 44 anos em Gijón: na última rodada da fase de grupos, os austríacos convenientemente cederam a derrota por 1 a 0 para a Alemanha Ocidental, que classificou as duas equipes e eliminou os argelinos. O destino, sagaz, permitiu que as duas seleções reescrevessem a história feito farsa, já que um empate em 2026 seria de bom grado a Áustria e Argélia. Haveria uma nova acomodação ou prevaleceria o desejo de vingança? Rolou de tudo um pouco, sobretudo a insanidade, da vitória momentânea dos argelinos com gol nos acréscimos à salvação dos austríacos com o empate no último lance. A princípio, as duas equipes não estavam dispostas a repetir o roteiro. Foi um primeiro tempo razoavelmente movimentado, em que a Áustria poderia estar mais contente com o empate pela segunda colocação, mas na verdade buscou mais o jogo. Marko Arnautovic abriu o placar. A Argélia, ameaçada de eliminação pelo placar parcial, buscou o empate com o espírito de luta de Riyad Mahrez para salvar a bola na bandeirinha de escanteio e permitir o golaço de Rafik Belghali. O segundo tempo voltou quente. Marcel Sabitzer bateu firme para recolocar a Áustria em vantagem aos dez minutos. A Argélia não esmoreceu e teve de novo Mahrez para salvá-la com o empate aos 15. Depois disso, o jogo esfriou. A partir dos 23 do segundo tempo, não se viu mais qualquer finalização a gol até os acréscimos. Os times pareciam confortáveis em tocar a bola no círculo central e não agredir. Cautela ou nova farsa? Um gol poderia ser fatal a qualquer lado e ninguém queria se expor. As vaias nas arquibancadas tinham outra opinião. A hora do louco soou a partir dos 48 minutos. A Argélia era exatamente a mais passiva com a bola. Mahrez botou a fantasia de Vingador do Futuro: não compactuaria com uma Desgraça de Kansas City. Depois de um ótimo passe de Houssem Aouar, cravou o gol que transformava a partida numa insanidade: a vitória colocava os argelinos na segunda posição e tirava os austríacos do Mundial, dando um lugar ao Irã entre os melhores terceiros. Nas arquibancadas, austríacos desolados. A Áustria, aparentemente morta, ganhou uma sobrevida porque a comemoração do gol garantiu que os acréscimos extrapolassem a indicação do árbitro. Sasa Kalajdzic operou a ressurreição. O centroavante saiu do banco já depois do gol argelino. E no último lance da partida, o cruzamento de Sabitzer foi salvo na linha de fundo por Michael Gregoritsch. Kalajdzic, no lugar certo e no momento exato, nem precisou saltar para cabecear às redes. O estádio veio abaixo. Sem qualquer encenação, a emoção em estado puro. No fim, nenhum dos dois times aceitou desistir. O regulamento desta Copa é ruim, com o prêmio aos melhores terceiros, mas acabou rendendo um épico no último instante da fase de grupos. Argélia e Áustria não viveram a desgraça da eliminação e nem do arranjo. Pena para o Irã, que de longe pagou o pato por um jogo em que os dois adversários riram por último, com ranger de dentes, e só depois do choro de desespero.
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@jogosspfc Bom ponto, Alexandre, hahaha. Escrevi meio sem pensar na referência, mas você tem sempre a razão no assunto =)
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Fio: Um grande ídolo que nunca jogou Copas do Mundo, de cada uma das 48 seleções de 2026 Vou aproveitar o fim da fase de grupos para fazer um mega fio aqui, com o tópico que achei o mais legal de pesquisar no Guia Histórico: um jogador icônico de cada país, mas que nunca esteve em Mundiais. Os escolhidos não são necessariamente "o maior que nunca jogou", mas todos têm boas histórias. Além disso, alguns deles chegaram a jogar Copas, só que por outras seleções diferentes do país em questão. O link com todos os textos: almanaquedacopa2026.substack.com/p/guia-histori…
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Disputar a segunda divisão do Campeonato Espanhol não foi empecilho para Gustavo Puerta ser convocado à Copa do Mundo. Também não impediu o meio-campista de assumir a titularidade da Colômbia. E a confiança do técnico Nestor Lorenzo se explica por aquilo que se vê em campo. O camisa 14 vem sendo um dos melhores de sua posição no Mundial, fundamental à ótima fase de grupos dos Cafeteros. O domínio dos colombianos sobre Portugal, apesar do empate por 0 a 0, teve uma de suas razões no trabalho incessante do volante de 22 anos. A trajetória de Puerta está fortemente ligada às segundas divisões. Sem vestir a camisa dos grandes de seu país, foi na segundona colombiana que o garoto começou a aparecer, pelo Bogotá FC. De lá, teve um trampolim também na seleção sub-20. Puerta se destacou no time que disputou o Sul-Americano e o Mundial em 2022, capitão da campanha até as quartas de final. Em alta, no início do ano seguinte assinou com o Bayer Leverkusen, ganhando a chance de ser treinado por Xabi Alonso. Puerta disputou apenas dez partidas pelo Leverkusen, mas esteve presente no elenco campeão da Bundesliga em 2023/24. Para adquirir experiência, na temporada seguinte jogou a segunda divisão inglesa pelo Hull City. Já na última temporada, acabou contratado pelo Racing de Santander para disputar a segundona espanhola. Virou ídolo ao participar da campanha do acesso à primeira divisão, após 14 anos do clube longe da elite. Referendou-se à seleção, virando titular nos amistosos preparatórios à Copa do Mundo. A participação de Puerta no Mundial, até agora, mostra por que ele era capitão da seleção sub-20. Tem sido um leão no meio-campo e dá equilíbrio a um time sem medo de oferecer liberdade para seus talentos jogarem. Nas duas primeiras partidas, o jovem ocupou o lado direito, onde James Rodríguez circula e Daniel Muñoz tem passe livre para avançar. Garantiu uma assistência para Luis Díaz na vitória sobre o Uzbequistão. Já diante de Portugal, Puerta caiu pela esquerda, mais ativo na distribuição de passes e com espaço para finalizar. Se o gol não veio, não foi por falta de tentativas. Mesmo na segundona, o volante é jogador de elite. Pela Copa que faz, sua afirmação na primeira divisão talvez nem ocorra em Santander.
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@LuizFCAlmeida Também cogitei, mais pela relevância no Stuttgart dos anos 1950 e pela ausência em 1954, mas achei que ficaria muito concentrado nas histórias do Milagre de Berna - motivo pelo qual o Bert Trautmann também não foi a escolha.
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@AlmanaqueDaCopa Meu preferido desse período é o Schilienz... Acho que é esse o nome do camarada que era atacante e teve que amputar o braço e continuou jogando...
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Luka Modric não precisa fazer mais nada em Copas do Mundo para ser considerado um dos maiores jogadores da história do torneio. A Bola de Ouro de 2018, símbolo da campanha até a final, fala por si. Assim como a Bola de Bronze rumo às semifinais em 2022, com direito a um recital contra o Brasil. Aos 40 anos, muita gente imaginava que o camisa 10 nem estaria mais em 2026. Não só está, como dá tudo de si em campo. A vitória da Croácia sobre Gana teve a precisão do craque com o cruzamento para o gol decisivo, mas também a entrega absoluta, de quem deu carrinho nos acréscimos do segundo tempo. Modric valoriza o futebol. E não só por sua qualidade técnica, mas também pela vontade que demonstra para seguir em frente a carreira em alto nível. O atual ciclo é prova disso. O camisa 10 seguiu imprescindível à Croácia, quando muitos davam sua despedida como certa. O adeus ainda não foi na campanha até a final da Liga das Nações em 2023. Muito menos na precoce queda na Euro 2024. O capitão permaneceu em forma para liderar a campanha nas Eliminatórias. Estaria em sua quinta Copa do Mundo. Os últimos meses salientaram como Modric não iria à América do Norte a passeio. O meio-campista não quis antecipar a aposentadoria no Real Madrid. Tinha energia para mais, para vestir outra camisa pesada, a do Milan. O desempenho do clube na Serie A pode não ter sido satisfatório, mas não por culpa do veterano. Ele continuou gastando a bola. Chegou com fome em seu novo Mundial. Sabe o que ele e a Copa representam para a Croácia. São histórias que se misturam, do garoto refugiado que usou a bola para abstrair da guerra e do país que reconstruiu sua identidade a partir da seleção. O início da Copa do Mundo de Modric foi aquém de seus capítulos anteriores. Não errou um passe sequer contra a Inglaterra, mas teve pouca influência no jogo, e contra o Panamá seus melhores lances não impactaram no placar. Já diante de Gana foi aquele camisa 10 magistral e até um pouco mais. Modric organizou a Croácia e, na hora do aperto, deu a assistência para Nikola Vlasic fazer o gol da vitória aos 38 do segundo tempo. Já a entrega defensiva impressionou: Modric ficou todos os minutos em campo e se esfolou, com carrinhos e bloqueios cruciais. O craque gosta da Copa. Isso, também, o torna maior.
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@LuizFCAlmeida Seria uma boa opção mesmo. Preferi o Schön por ser um personagem fundamental que tem uma fama pouco citada fora da Alemanha como jogador e que não seria prioritário como "mentor", por causa do Sepp Herberger. Também é de uma geração prejudicada pela guerra e pela divisão.
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@AlmanaqueDaCopa Claro, é sempre difícil. Dörner seria o meu por simbolizar o impacto da divisão (e o azar com a icterícia em 74).
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@LuizFCAlmeida Como era só um por seleção, tive que fazer escolhas. A Alemanha foi um dos mais difíceis de optar por só um nome.
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Talvez você tenha pensado em outros tantos craques ausentes nessa lista: Alfredo Di Stéfano, Eric Cantona, Dixie Dean e por aí vai. Geralmente, eles estão citados em outros tópicos do Guia Histórico, como "uma geração que merecia melhor sorte" ou "um mentor da seleção". Preferi fazer assim para abranger ao máximo os períodos históricos de cada seleção. Fica a sugestão, mais uma vez, de conferir cada texto: almanaquedacopa2026.substack.com/p/guia-histori…
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Panamá Rommel Fernández. O nome de Rommel Fernández permanece mencionado a cada partida do Panamá como mandante pelas Eliminatórias: é o patrono do principal estádio do país, na Cidade do Panamá, onde se consumaram as classificações para a Copa do Mundo de 2018 e 2026. A homenagem póstuma aconteceu após uma tragédia. Fernández faleceu aos 27 anos, em maio de 1993, num acidente de automóvel na Espanha. Ele era exatamente o primeiro jogador do Panamá a se destacar no futebol europeu. Formado pelo Alianza, o centroavante desembarcou no Tenerife em 1987. Virou ídolo do clube ao conquistar o acesso para a primeira divisão de La Liga e ter bons desempenhos também na elite, a ponto de ser eleito o melhor jogador latino-americano da competição em 1990/91. O centroavante passou ainda pelo Valencia, antes de partir ao Albacete, clube que defendia quando faleceu. Em tempos incipientes da seleção, “El Panzer” disputou duas edições das Eliminatórias, as de 1990 e 1994, eliminado logo na fase inicial de ambas pela Costa Rica. Morreu semanas antes de disputar sua primeira Copa Ouro com o país, em 1993.
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