Mansur Peixoto@MansurPeixoto
Testemunhamos o crescimento vertiginoso do preconceito anti-islâmico e do racismo contra povos identificados como "muçulmanos" (atingindo, inclusive, pessoas que sequer são muçulmanas) no Brasil. Observamos uma ação coordenada entre figuras de diferentes campos políticos na produção de conteúdos que visam demonizar os muçulmanos que vivem no país, em operações semelhantes às que muçulmanos em outros países já sofreram ao longo do século XXI, como nos Estados Unidos, no Reino Unido e na Austrália. Ao que tudo indica, os métodos utilizados pela extrema-direita ocidental se repete no Brasil – como de costume, dada a falta de criatividade deste espectro político no contexto brasileiro.
Além dos conteúdos de perfis e falas e projetos de figuras ligadas ao catolicismo de direita, também vemos este recrudescimento na postura de perfis sionistas para com os muçulmanos. O processo mudou um pouco, no entanto. Antes, o foco era difuso, contra pregadores e religiosos inalcançáveis, no outro lado do mundo, com falas retiradas de contexto e cirurgicamente selecionadas para atiçar as respostas mais vis daqueles que desconhecem o Islã e os muçulmanos. Agora, vemos que voltam seu foco a figuras que atuam no Brasil, expondo instituições e lideranças muçulmanas – tanto xiitas quanto sunitas – que vivem há muito tempo no Brasil.
Dentre os vídeos descontextualizados que circulam, vemos o logo da MEMRI, uma pretensa instituição israelo-americana fundada por ex-oficiais de inteligência e cientistas políticos de Israel em 1998. A instituição se notabilizou com suas traduções de trechos de pregações, programas de TV, debates, do mundo árabe – muitas vezes com a repercussão saindo pela culatra, transformando o nome da instituição em sinônimo de meme.
Uma das respostas mais escabrosas ocorreu a um vídeo retirado da página do Facebook da Mesquita do Brás, que circulou para além da página que o compartilhou primeiro no Brasil (StandWithUs). São inúmeros comentários com ameaças de bomba, realização de Cruzadas, expulsão dos muçulmanos do Brasil (alguém conta pra eles que a maioria dos muçulmanos no país são brasileiros?), imputação de crimes aos muçulmanos, clamores pela derrubada da mesquita paulista e por aí vai.
Como temos denunciado nos últimos anos, a situação está ficando feia para os muçulmanos no Brasil. Precisamos continuar nos mobilizando para enfrentar o preconceito. Responda à ignorância com o conhecimento. Faça vídeos. Leve essas questões às lideranças da sua comunidade e às autoridades. Ou estamos esperando a repetição de um Massacre de Christchurch em terras brasileiras?