Fábio

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@Fbio65244748

Misógeneo; misândric0; missigno e misantrópicos, é claro.

Katılım Kasım 2018
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PCO - Partido da Causa Operária
O influenciador Monark (Bruno Aiub) é um perseguido político do lobby sionista, declarou o pré-candidato do PCO à presidência da República, Rui Costa Pimenta. Após anos exilado nos EUA, o jovem decidiu criar um programa chamado “Bruno Aiub Show”. E o que aconteceu? O Ministério Público decidiu reabrir o processo contra ele por defesa do “nazismo”. O processo já havia sido engavetado, mas o Ministério Público reabriu para deixar claro que Bruno AIub não tem mais direito a falar na Internet. O processo é absurdo. “Monark apenas disse que os nazistas poderiam ter o seu próprio partido — coisa que, de maneira nenhuma, indicaria para alguém que ele seria defensor do nazismo em si”, explicou Rui Pimenta. E, mesmo que ele falasse a favor do nazismo, isso não é crime, não daria prisão para ninguém. O que existe no Brasil é a proibição de usar símbolos nazistas. Se alguém falar bem de Hitler, não é crime. Para Rui Pimenta, há grandes interesses que levam à perseguição ao rapaz: “É, evidentemente, um caso de perseguição contra ele. Não sei se todo mundo se lembra, mas quando Monark falou essa frase, quem entrou com denúncia contra ele, em primeiro lugar, foi a CONIB; tanto que o programa do Monark acolheu um representante da CONIB que foi lá explicar o que foi o Holocausto e o nazismo. Uma coisa absurda. Aqui também temos um dedo do lobby sionista.” A situação no Brasil é de uma decomposição política total. O Brasil se transformou em um país onde o principal direito democrático, que é o de pensar e de exprimir seus pensamentos, foi cancelado. Até a imprensa burguesa fala isso. E como chegamos até aqui? O pré-candidato do PCO tem a resposta: “Isso é resultado da ação da esquerda e do grande capital. Em grande medida, é uma vitória do identitarismo. Foi o identitarismo que introduziu o crime de opinião através da lei do nazismo. A política da esquerda revolucionária não é botar gente na cadeia, porque nós não temos a chave da cadeia. Nós não controlamos juízes, não controlamos ninguém. Por isso, a liberdade de expressão deve ser irrestrita.”
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@five__lights·
@AcervoCapitano I want a skip button for my alt accounts when I’ve already sat through the 9 hours of dialogue and enjoyed the story. Skipping all that on my second, third, and fourth playthroughs would be quite nice.
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Harry
Harry@Realmecore_0·
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Fábio
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@kinichartsz Graças a Deus, não sou um jagunço.
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Fábio
Fábio@Fbio65244748·
@w_acce Refutou a si mesmo, brabo.
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Nova Resistência 🇧🇷
Nova Resistência 🇧🇷@br_resistencia·
"A liberdade não é o direito de fazer o que se quer, mas a possibilidade de fazer o que convém à Pátria e ao bem comum. O homem isolado é escravo de suas paixões; o homem integrado à comunidade é livre, porque participa do destino coletivo." - Juan Domingo Perón
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eloquent mist💨
eloquent mist💨@manwblueguitar·
aí tá lá você achando que existe cinema nacional a sério aí de repente você vê tipo o que foi produzido em qualquer ano aleatório da indústria japonesa e se dá conta de que, ah, não, não existe cinema brasileiro a sério mesmo não
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g1
g1@g1·
'Morte em câmera lenta': iraniana vencedora do Nobel da Paz perde 19 kg na prisão e tem tratamento negado após infarto glo.bo/4eSOl2Y #g1
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s
s@tiredgirlxx·
top 5 horror movies -having a job -not having a job -applying for jobs -the job market -the concept of working my whole life
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RT Brasil
RT Brasil@rtnoticias_br·
🇧🇷🇷🇺 Brasileiros agora podem aprender o idioma russo de graça Ao finalizar o currículo completo, o aluno poderá receber um certificado de conclusão de nível A1 emitido pela plataforma "Janela para a Rússia". Saiba mais: s.rtbrasil.com/rqk
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Fábio
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@sr_sesshomaru É pq nao de humanas? Tenho usado bastante pra filosofia.
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Prof. Marquinhos
Prof. Marquinhos@sr_sesshomaru·
Não ironicamente deve ser tão mais gostoso ser estudante universitário de exatas hoje em dia. Ter IA para tirar dúvidas teóricas, explicar resoluções, corrigir listas e testar hipóteses, na mão de um bom estudante intelectualmente honesto, é simplesmente extraordinário.
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Luiz Carlos
Luiz Carlos@luizcbasilio·
Agradeço pela resposta. Sempre que me aparecem, eu leio alguns dos seus textos sobre Hegel, que são magníficos. Entretanto, aqui sou obrigado a discordar em praticamente tudo que você escreveu. Em primeiro lugar, o que fiz não é uma "tática sórdida" — e isso fica claro no texto. É uma forma filosófica legítima, e mesmo necessária, de ler um filósofo. Por quê? Porque a filosofia não se pode encerrar num texto. Nem mesmo os seus próprios pensamentos, como reconhecidamente estudioso de Hegel, certamente se encerraram no que você escreveu aqui. Você pode se fechar aos detalhes biográficos do filósofo, nunca ir além do texto e confiar integralmente naquilo que ele escreveu, tomando-o como uma espécie de profeta infalível — mas isso está longe de filosofar. Tomemos, por exemplo, Platão, um dos filósofos mais transparentes em suas intenções, e que tinha ainda assim uma agrapha dogmata intraduzível— um ensino oral que complementa e por vezes tensiona os diálogos. Ignorá-la em prol da literalidade do texto seria empobrecer Platão. Sem compará-lo com Pitágoras, com os pré-socráticos, com as tradições místicas que o antecederam, e com seu grande discípulo, é impossível compreender profundamente o que seus textos exotéricos tentavam demonstrar. Com Hegel, que opera com muito mais camadas de dissimulação, o problema é proporcionalmente maior. E note-se: não afirmo necessariamente que Hegel estava consciente de tudo o que fazia. Um filósofo absorve estruturas de uma tradição sem necessariamente identificá-la pelo nome. Que Hegel cite o budismo onde um cabalista veria a Cabala não encerra a questão — encerra apenas o que Hegel pensava estar fazendo. Desqualificar qualquer tentativa de ir além do texto, chamando-a de difamação ou ad hominem, é fechar-se num dogmatismo vazio. O que fizeram Glenn A. Magee, Cyril O'Regan, Jacques D'Hondt, entre muitos outros, não foi mera especulação irresponsável. Existe rigor e estudo sério. Meu interesse não é fechar-me num sistema — seja hegeliano ou não —, mas usar suas ferramentas para compreender a realidade. E, como dizia Mário Ferreira dos Santos, a dialética atinge seu ponto culminante em Hegel. Separei alguns pontos de resposta, mas o argumento central é simples: você lê o texto e ignora qualquer possibilidade de contexto. É uma leitura válida, e eu a respeito — mas partimos de premissas opostas, o que nos torna, de certa forma, incomunicáveis. 1. "Perceba a conveniência de falar que não podemos confiar no que ele escreve: o autor não precisa lidar com o conjunto da obra de Hegel, já que a validade é só secundária, isto é, para confirmar o viés exterior que ele joga em cima do autor." Pelo contrário, é preciso sim conhecer profundamente Hegel — eu não o nego. É isso que os autores supramencionados fizeram, aliás; eu não tirei nada de novo da cartola. Não há dúvidas de que você conhece muito melhor o Hegel escrito do que eu, e isso certamente advoga ao seu favor, ao menos no que toca ao Hegel do texto. Agora, eu não disse que não se pode confiar em nada do que ele escreve; eu disse que é preciso comparar o que ele escreve com seus detalhes biográficos, com os autores que o influenciaram, e com as tradições místicas que (com inefável "coincidência"!) parecem encaixar perfeitamente — como se mostrará na comparação cabalística — com parte da sua filosofia. Isto é conjectura, e não se pode ter certeza de que está de toda certa? De fato. Mas por que a sua leitura, que se atém apenas ao texto e confia nesse "autor angelical e infalível", estaria mais precisa? Ora, sim, admito os riscos da minha leitura, e posso, é evidente, acabar errando em algum dos pontos que levantei; todavia, a sua leitura, ao se prender à literalidade de um autor sabidamente dialético, garante apenas uma coisa: a certeza de se estar errado. 2. "Seus prefácios, adendos, notas, etc. são bem claros para o público leigo." Veja bem, eu particularmente não acho Hegel um autor tão complicado e intransponível; se você o lê traduzido, talvez isso possa fazer algum sentido, mas como você me parece um estudioso sério e bastante devoto do filósofo alemão, eu suponho que você o lê no original. Para o "público leigo", é verdade que há toda uma aura de dificuldade em torno de Hegel, mas quando se estudam autores superiores — como Santo Tomás, ou as influências hegelianas indiretas, como Proclo e Dionísio Areopagita, ou mesmo as tradições místicas das quais Hegel bebeu consideravelmente —, toda essa nebulosidade perde bastante o efeito. Todavia, devo comentar (e isto parece contradizer o seu ponto) que no prefácio da Fenomenologia, Hegel ridiculariza precisamente a ideia de que se pode dar a verdade de forma clara e resumida — o que torna curiosa a afirmação de que os prefácios seriam a chave de entrada para o leigo. O prefácio da Fenomenologia é extremamente nebuloso justamente porque é o princípio da dissolução. Hegel operará uma ferramenta alquímica que, se bem-sucedida, acarretará na produção de... um leitor devoto e ortodoxo de Hegel. A vida do Espírito, explica Glenn Maggee, e como o próprio Hegel afirma em uma linguagem que ecoa o misticismo, não recua diante da morte e da devastação, mas conquista a sua verdade somente quando se encontra no "absoluto dilaceramento" (ou desmembramento). Esse desmembramento reflete o destino de divindades como Osíris e Dionísio, que são despedaçados (solve) para depois ressuscitarem (coagula). É preciso, então, "destruir as ideias" do leitor e, fechando-o apartir de um recurso metodológico — deliberado, sim — da nebulosidade, gerar uma espécie de hipnose que o conduz. Tudo o que é dissolvido pelo processo dialético é "assumido" em uma nova configuração, que incorporará a verdade. Hegel força, assim, o leitor a abandonar o Verstand (o entendimento) e entrar na razão (Vernunft) fluida, que capta a natureza fluida. A opiniões estáticas e unilaterais do Entendimento são tornadas "fluidas" (dissolvidas; ele gosta particularmente da expressão flüssige Natur, influência de Böhme, e a utiliza várias vezes para descrever isso) para que possam ser rearticuladas como momentos orgânicos do Todo. O Saber Absoluto é o coagula final: a fixação e apreensão definitiva da Sabedoria perene após a transmutação filosófica. 3. Hegel não esconde que é um místico; ele apenas redefine o misticismo. Você mesmo admite essa "transposição para o racional" — e, confesso, essa tentativa causa-me grande admiração em Hegel. Jacques D'Hondt argumentava que é necessário ler todas essas influências que Hegel sofreu, porque ele transpõe essas fontes alheias de forma que se tornam quase indescifrável sem o texto original: "Ainsi convient-il, pour mieux comprendre Hegel, de relire sans impatience quelques œuvres surannées qui éveillèrent en son esprit bien des résonances." D'Hondt, aliás, explica, em partes, porque Hegel "esconde suas influências": a censura e a atmosfera de repressão política na Alemanha forçaram Hegel a ocultar suas ligações subversivas com seitas esotéricas, dissimulando-as sob o vocabulário árido e especulativo de sua filosofia. 4. Podemos ficar aqui argumentando ad nauseam a forma com que Hegel lida com o "ser estático" escolástico, mas devolvo a você a acusação: essa é uma leitura pobre do ipsum esse subsistens. O actus purus tomista não é um ser inerte, fixo, paralisado; é precisamente o oposto. A potência é o que limita, o que constrange, o que aguarda determinação. O ato puro, sem qualquer aditivo de potência, é a máxima vitalidade, a plenitude absoluta de ser. É o que Aristóteles diz do motor imóvel na Metafísica: ζωὴ δὲ ἀρίστη καὶ ἀΐδιος — "vida ótima e eterna". Dionísio Areopagita chama Deus de "vida de todas as coisas vivas" e "vida superabundante". Tomás é explícito: em Deus, ser, viver e entender são idênticos e perfeitos sem limite. O esse divino não é um predicado abstrato e vazio — é o ato mais íntimo e intenso de tudo o que existe, anterior a toda determinação de essência. Quando Hegel critica o Deus da metafísica clássica como esse Verstandesgott, o "Deus frio e fixo do entendimento abstrato", está atacando uma caricatura. O actus purus não precisa do devir porque não lhe falta nada; não precisa da história porque já é tudo o que pode ser. É Hegel, não Tomás, quem tem um Deus pobre: um Deus que ainda está se tornando. 5. Vou lhe conceder um ponto, porque ficou claro que você não compreendeu onde eu quis chegar e o que eu quis dizer: Hegel de fato ataca o misticismo de sua época. Mas qual? O misticismo romântico e o intuicionismo de Schelling e Jacobi, que acreditavam que o Absoluto só poderia ser "sentido" de forma obscura e irracional. Há várias formas de ser místico, e este alvo em específico é legítimo. Mas Cyril O'Regan identificou o que chama de "rasura apofática": Hegel herda a teologia negativa de Eckhart e do Pseudo-Dionísio, com toda a sua estrutura de negação e superação, mas apaga o momento genuinamente apofático, aquele em que o místico confessa que Deus escapa a todo predicado, inclusive à negação. Em Hegel, a negação é sempre dialeticamente produtiva; ela nunca genuinamente transcende o sistema. O resultado é que Hegel mantém a forma do misticismo — a negação, o movimento de saída e retorno, a união — mas elimina a transcendência real. Não é secularização: é absorção. E o que resta é gnose. 6. "Além disso, Hegel fala explicitamente que o que era chamado antigamente de místico em sua filosofia virou o racional." Sim, do misticismo à razão... Entretanto, Hegel não faz aqui uma secularização do misticismo, nem mesmo o transforma em ciência; ele eleva a razão humana ao estatuto de intelecto divino. Novamente, é pura gnose. 7. "Como a Fenomenologia do Espírito tem um caráter de iniciação esotérica, se Hegel explicitamente fala que o sistema científico é exotérico?" Mais uma vez, o problema é que você confia completamente no texto, como se ele encerrasse todas as intenções — conhecidas ou mesmo desconhecidas — do autor. É uma leitura que nunca permitirá compreender as estruturas das obras hegelianas, nem fazer uma genealogia das suas ideias. O "exterior igual ao interior", ao mesmo tempo que Hegel efetua uma iniciação esotérica, é propriamente um paradoxo pedagógico — que um ferrenho leitor de Hegel deveria perceber. No prefácio, Hegel diz que a ciência deve ser ensinável a todos — exotérica. Logo adiante, porém, ele mesmo cita os Mistérios de Elêusis como paradigma da sabedoria elementar à qual a consciência deve retornar. "Es ist daher geraten... zu den Elementarschulen der Weisheit zurückzugehen, nämlich zu den Eleusinischen Mysterien der Ceres und des Bacchus, und das Geheimnis des Essens des Brots und des Trinkens des Weins erst wieder zu lernen." Ora — se o sistema é exotérico e o interior é idêntico ao exterior, por que invocar os mistérios de iniciação como modelo pedagógico? O "iniciado" deve, claro, não se ater às "certezas sensíveis", mas "aprenderá o segredo de consumir pão e beber vinho", ou, "mastigar, engolir, destruir o objeto sensível". Argumentar-se há que isto prova a "nulidade" do objeto sensível, mas isso não contra-argumenta contra aquilo que Glenn A. Magee e D'Hondt esclarecem acerca da "escada" hegeliana, que perpassa isso e possui exatamente a mesma estrutura do rito maçônico e eleusino mencionado, o que confirma, alfim, meu ponto. 8. "O resto é besteira em cima de besteira. O nada de Hegel não é nem sequer o nada cabalístico; Hegel interpreta isso como sendo uma afirmação do budismo..." A primeira parte é extremamente conveniente — para usar um termo que você gosta —, porque o impede de ter de enxergar os paralelos da filosofia hegeliana com as tradições filosóficas e místicas. A segunda parte, onde você diz que Hegel afirma ter tirado essas coisas do budismo, é, mais uma vez, a tal confiança cega no texto. Hegel, o gênio, estava integralmente consciente de onde suas ideias surgiram, e não pode ter sido, sem querer, influenciado por alguma tradição sem perceber? Decerto, ele vivia em um vácuo, sem cultura, sem linguagem, sem influências externas. O Nada, é evidente, aparece em inúmeras tradições. Mas a forma com que Hegel trabalha o Nada, sua mecânica lógica específica, é ocidentalizada e essencialmente hermética. O grande estudioso do misticismo judaico, Gershom Scholem, aponta diretamente para a impressionante identidade entre a dialética hegeliana e a Cabala. Na Cabala, o Nada (Ayin) não é ausência, mas a plenitude impenetrável de Deus que transita, através das Sefiroth, para o Eu manifestado (Ani). Scholem chama isso de "um exemplo notável de pensamento dialético cuja tese e antítese começam e terminam em Deus". Mais uma pro hall de coindiências. 9. Enfim, sobre a questão terminológica: Hegel define o ser puro como "Sein, reines Sein — ohne alle weitere Bestimmung". Máxima indeterminidade, ausência de todo conteúdo — funcionalmente equivalente ao ens generalissimum, não porque Hegel o chame assim, mas porque ambos partilham a mesma estrutura lógica: o conceito mais vazio, mais abstrato, o predicado que se aplica a tudo e por isso não determina nada. Hegel trata o ser como Denkbestimmung (categoria lógica, determinação do pensamento enquanto tal) cujo conteúdo é, paradoxalmente, a máxima indeterminação. Não como actus essendi. Cornelio Fabro chama isso de "redução do ser à essência": ao fazer do ser a primeira e mais abstrata categoria lógica, Hegel colapsa o esse (ato de existir, o mais íntimo e intenso de tudo) num predicado, no mais vazio dos predicados. O esse tomista não é abstrato: é o ato mais pleno, anterior a toda determinação de essência. Quando Hegel parte de um ser maximamente indeterminado, não está simplesmente escolhendo um ponto de partida metodológico diferente; está já operando dentro de um quadro onde o ser é conceito, não ato — e é dessa confusão que nasce o sistema inteiro. Quanto ao ens realissimum aparecer "depois da determinidade": pois bem, este é exatamente o problema. Para Hegel, Deus é resultado, potência que se atualiza — negação direta do actus purus. O ens realissimum clássico não é posterior a coisa alguma: é anterior a toda dialética. Creio já ser o suficiente. Mais uma vez, lemos Hegel de forma completamente distinta. Sempre que eu leio um autor, e é assim que se deve fazer com qualquer filósofo, leio-o em primeiro lugar confiando que o que ele quer me dizer é o que acredita, e permito reconstruir a sua filosofia dentro de mim, comparando-a com a minha própria experiência. No caso de Hegel, isso é relativamente perigoso, como comentei, porque ele deliberadamente usa um processo alquímico de dissolução; porém, estando consciente disso, é possível retornar do labirinto hegeliano sem grandes danos e fazer uma nova leitura crítica, mais aprofundada, para além do texto. É assim que se devem ler os grandes filósofos — não dogmaticamente. Por fim, reafirmo que gosto bastante de ler seus textos sobre Hegel. Fique à vontade para dizer que eu "não tenho perícia com os textos de Hegel" — e certamente você tem muito mais que eu. Não é minha pretensão ser um hegeliano de carteirinha, tampouco um tomista, ou um kantiano, ou um platônico etc.; estes autores e suas filosofias são ferramentas para compreender a verdade, e não encerram toda a realidade. Fechar-se numa doutrina filosófica dogmática é erro e imperícia intelectual. Sim, é verdade: entre Hegel e Santo Tomás, fico com o Doutor Angélico sem pensar duas vezes. Entre a promessa hegeliana de um Deus que precisa da tragédia histórica para se tornar autoconsciente e o Doutor Angélico, cuja metafísica resguarda a liberdade absoluta e a plenitude vital do ser, prefiro a filosofia que não precisa mascarar a realidade com engrenagens alquímicas para se sustentar. Enfim, este interlóquio já se alongou demais, e se mostra bastante infértil. Agradeço a atenção.
Rodrigo Lemes@Rodrigoessente

Esse texto contém muitos erros e mitos sobre Hegel. O texto começa com uma tática muito sórdida que é apelar para ideia de que podemos saber a intenção de Hegel, que Hegel tem um projeto por trás do que ele diz e que ele é um filósofo traiçoeiro. Essa narrativa não é só difamação, mas não se sustenta em nada. Além disso, essa narrativa abre espaço para inventar praticamente qualquer coisa que quiser sobre qualquer autor. Perceba a conveniência de falar que não podemos confiar no que ele escreve: o autor não precisa lidar com o conjunto da obra de Hegel, já que a validade é só secundária, isto é, para confirmar o viés exterior que ele joga em cima do autor. A literatura sobre Hegel hoje é bem estabelecida, e essa leitura misticista é minoritária e bem excluída. Ela é uma leitura muito ligada a tentar achar coisas por trás de Hegel e ignorar as coisas explicitamente ditas por ele que entram em contradição com isso. A dificuldade que a linguagem hegeliana carrega não se deve à escrita de Hegel simplesmente, mas ao vocabulário especulativo dele. Fora do uso especulativo, Hegel é bem claro. Seus prefácios, adendos, notas, etc. são bem claros para o público leigo. Hegel não confunde o ens generalissimum com o ens realissimum. Essa leitura é esdrúxula e comumente repetida por tomistas. Primeiramente, o ser no início da lógica não é o essente/ente, senão que o essente/ente é o ser-aí, porque é o ser-aí que está no elemento do ser e tem ele como determinação da qual proveio. Segundo, o ente realissimum só é possível de ser pensado depois que temos a determinidade essente ou imediata, que já supõe uma diferença com o ser. Para além disso, a noção de ens generalissimum em Hegel é uma abstração. Tanto o ens realissimum quanto o ens generalissimum são carentes-de-processo para Hegel, e ambos são considerações finitas e não especulativas, além de que o ens generalissimum não corresponde ao ser puro e é basicamente nenhuma categoria do ser. O ser hegeliano não está nas coisas por meio da noção de generalidade, mas por meio da noção de suprassunção: ele é o momento ideal/suprassumido que se encontra em tudo (na verdade é a unidade do ser e do nada, mas, para fins explicativos, vamos deixar assim). O ser em Hegel nem sequer possui essa conotação geral, porque isso é uma determinação que só aparece na doutrina do conceito. O projeto hegeliano não era uma transposição de misticismo e esoterismo para a filosofia, muito pelo contrário. Ao redor de toda a sua obra, Hegel critica isso, como no prefácio da Fenomenologia do Espírito, onde ele afirma que o absoluto não pode ser apreendido pela intuição e que o sistema científico é sempre exotérico (e não esotérico). Além disso, Hegel fala explicitamente que o que era chamado antigamente de místico em sua filosofia virou o racional (Enciclopédia §82 Adendo), que o místico não faz sentido e que não existe o elemento desconhecido, a não ser para o ENTENDIMENTO, mas não para a razão especulativa. Essa é a crítica de Hegel tanto à 'consciência religiosa' quanto à filosofia, porque parou numa finitude ou no pensar abstrato do entendimento. Nota-se que o autor do post não tem muita perícia com os textos de Hegel, muito menos com a Fenomenologia do Espírito. Como a Fenomenologia do Espírito tem um caráter de iniciação esotérica, se Hegel explicitamente fala que o sistema científico é exotérico? Como estamos sendo iniciados em algo, se o espírito é aquilo que sempre aparece porque seu interior é igual ao seu exterior (razão pela qual o livro se chama FENOMENOLOGIA do espírito)? Claro que essa leitura se baseia em supor o que Hegel queria dizer, ao invés do que ele disse. Obviamente, como ninguém pode entrar na cabeça de um autor, isso serve como desculpa para falar qualquer coisa de ruim sobre esse autor. O resto é besteira em cima de besteira. O nada de Hegel não é nem sequer o nada cabalístico; Hegel interpreta isso como sendo uma afirmação do budismo, inclusive (os budistas não falam isso de fato).

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Raphael Machado
Raphael Machado@camaradamachado·
Eu não sei como as pessoas ainda não entenderam isso, mas NÃO se deve ajudar moradores de rua sob hipótese alguma. Isso é difícil entender para jovens (especialmente do sexo feminino) cheios de dinheiro no bolso e burrice na cabeça, mas não é porque alguém "sofre" que é "bom".
tori. ★@studysdatori

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