
«Ela [a mulher de Ló] olhou para trás, despertada pelo estrondo do fogo e da chuva de enxofre e pelos gritos dos que pereciam, em parte por medo de que a chama a apanhasse também a ela, em parte por curiosidade, em parte por dor pelos seus bens perdidos e pelos seus concidadãos e pela sua pátria em chamas.
É punida, portanto, porque foi desobediente e incrédula, como diz Sabedoria 10,7; pois não acreditou que importasse para a sua segurança e bem-estar se olhasse para trás ou não. Daí que Dionísio Cartuxo sustente que ela pecou mortalmente.
Outros, porém, julgam que esta foi apenas uma falta venial, tanto porque a mulher de Ló olhou para trás ferida por medo excessivo, como porque não olhar para trás lhe parecia matéria trivial, e por isso não julgava que isto fosse mandado e obrigasse sob pecado mortal. Foi punida todavia, porque Deus quis fazê-la exemplo para os outros, como logo explicarei. Pois de modo semelhante, como exemplo para os outros, Deus puniu com a morte aquele Profeta cuja história se narra em 3 Reis 13, por uma desobediência que foi apenas venial, como parece.
[...] A mulher de Ló foi transformada numa coluna de sal para que servisse como uma espécie de monumento de mármore, um memorial perpétuo do castigo divino, pelo qual a posteridade seria ensinada a obedecer e servir a Deus em todas as coisas, e a não olhar para trás de modo a abandonar os bons começos e voltar aos prazeres do mundo e da carne.
Pois o sal, pela sua secura, auxilia a memória e preserva os corpos da corrupção; o sal mineral, ademais, é sólido; donde é símbolo da eternidade e da memória eterna. Daí que uma aliança de sal se chame aliança eterna.»
— Cornelius a Lapide S.J., Comentário à Genesis 19, 26.

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