Cetaceo Libertario@libertcetaceo
Chegando em casa agora há pouco a vizinha do apartamento da frente nos pegou para conversar.
Casal tranquilo, dois filhos, carro popular, apartamento bom, sem vida de luxo. O marido é mecânico da LATAM há décadas.
No meio da conversa, contaram que vão passear nos EUA, mas na verdade vão analisar a possibilidade de ficar por lá, vai ver o que é preciso para aplicar a uma vaga lá.
Segundo eles, está ficando difícil manter o básico aqui, contas, escola das crianças, mercado. E olha que são pessoas simples, que não vivem saindo nem torrando dinheiro.
Ela falou uma coisa que me marcou, "o pior não é ir embora, é vender tudo e voltar de mãos vazias", a incerteza de se jogar no incerto e ainda assim se sentir impelido a fazer isso.
Disse também que hoje fazem compra de mercado comprando o necessário, acabou alguma coisa, volta e compra de novo. Na hora percebi que aqui em casa estamos fazendo exatamente a mesma coisa. Não estou dizendo que verifico o preço de cada produto na prateleira, mas agora existe aquela pergunta que nao existia, "precisamos mesmo disso?"
Isso me fez pensar no quanto estamos sendo roubados dia após dia pela inflação, impostos e corrupção. As pessoas imaginam que grandes tragédias econômicas acontecem da noite para o dia, mas não. São anos e anos de ingerência, perda de poder de compra e deterioração silenciosa até chegar numa explosão de merda e desespero.
E talvez o mais preocupante seja isso começar a expulsar justamente as pessoas mais produtivas, qualificadas e dispostas a trabalhar. O país vai perdendo cérebros aos poucos, enquanto fica cada vez mais difícil para quem decide ficar.
Segundo o IBGE, minha família está entre os 1% mais ricos do país. Porra nenhuma! Me sinto um pobre premium. E se eu me sinto assim, não quero nem imaginar como estão os outros 99%...