lacerda retweetledi
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No inferno, o fogo é detalhe. Os tormentos são secundários. Nem mesmo a tortura é o pior.
A verdadeira condenação é a certeza absoluta de que a esperança morreu, e não voltará jamais.
Há pessoas que atravessaram o inferno ainda em vida. Gente que passou anos nas mãos de monstros, reduzida à condição de coisa, submetida a humilhações e dores que a linguagem humana mal consegue nomear. Anos. Não horas. Não dias. Anos. E mesmo ali, esmagadas, mutiladas por dentro, algo as manteve respirando: uma esperança sem rosto, sem promessa, sem lógica. Uma esperança que não se explicava, mas insistia em existir.
Era essa centelha, frágil, irracional, quase ridícula, que impedia a alma de colapsar por completo. Sem ela, não restaria sanidade. Não restaria identidade. Não restaria nada além da loucura.
Agora imagine a extinção total dessa centelha.
Não a dúvida. Não à espera. Mas a certeza.
A certeza de que não há saída.
A certeza de que não haverá resgate.
A certeza de que nenhuma mudança é possível.
Ainda que você viva cercado de conforto, se contemplar isso com honestidade, sentirá o pânico crescer. Porque a alma humana foi feita para a esperança, e quando ela é arrancada, resta apenas o desespero cru, absoluto, sem anestesia.
Isso é o inferno.
Os condenados saberão, com lucidez perfeita, que Deus, a própria Esperança, está eternamente inacessível. Não haverá esquecimento. Não haverá distração. Não haverá ilusão. Cada instante será vivido com plena consciência de que nada melhora, nada evolui, nada caminha para um fim. Após trilhões e trilhões de anos, não se estará mais perto do alívio do que no primeiro segundo.
E o pior: saberão que não foi um erro.
Não foi engano.
Não foi ignorância.
Foi escolha.
Tudo esteve ao alcance de suas mãos. A graça foi oferecida. A verdade foi apresentada. O bem foi conhecido. E ainda assim, deliberadamente, escolheram a inimizade com Deus. Preferiram a iniquidade. Amaram o mal. Rejeitaram a única esperança verdadeira não por fraqueza, mas por dureza de coração.
O inferno não é apenas sofrer.
É lembrar, para sempre, que poderia não ter sido assim.

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