
Papo de Valor com Paulo Medeiros (Varrock Clube de Investimentos) Multiplicou por 2.4x o Capital Investido em 3 Anos Em 3 anos, de abr/23 a jan/26, a carteira de Paulo gerou um retorno de 140% no período, enquanto o Ibovespa gerou um retorno de apenas 70%. -- IV: Paulo, poderia falar um pouco sobre você? PM: Meu nome é Paulo, tenho 31 anos, sou natural de Manaus (AM) e moro em Budapeste, na Hungria, há mais de 2 anos. Vim para cá para trabalhar com gestão de projetos em uma empresa de IA que desenvolve reconhecimento de imagem para o varejo. No entanto, meu background acadêmico e profissional sempre foi em finanças e gestão de empresas, migrei para a área de TI em 2023, quando me mudei para cá. Dei meus primeiros passos no mercado financeiro em 2017, investindo em criptomoedas, e comecei a investir na bolsa brasileira em 2018. Já trabalhei como Gestor de Patrimônio, que foi a experiência mais próxima que tive profissionalmente do mercado financeiro. Em 2023, junto com um grande amigo (com quem estudei desde a escola e com quem também fiz faculdade de Administração e MBA), fundamos o Varrock Clube de Investimentos, que hoje é meu principal veículo de investimentos e sobre o qual falarei nesta entrevista. -- IV: Qual a sua estratégia para ganhar dinheiro na Bolsa? PM: Resposta curta: comprando barato. Somos adeptos do clássico investimento em valor, levamos essa estratégia muito a sério pois na nossa opinião comprar ativos com margem de segurança elevada é a única forma de reduzir de fato os riscos de mercado numa aplicação financeira. Também gostamos de “contrarian investing”, ou seja, nós não estamos onde tem muita gente e muito barulho. Se tem muita gente e muito barulho, provavelmente já deixou de ser uma oportunidade. Por exemplo, compramos BMEB4 em 2023 quando não era tão falada como é hoje em dia. -- IV: Como é o seu processo para garimpar uma nova oportunidade de compra? Quais filtros usa? PM: O processo começa com a análise profunda dos balanços das empresas, limpeza e ajuste fino nos dados, para conseguir enxergar a realidade operacional da empresa e corrigir eventuais distorções contábeis. Após isso, jogamos esses dados tratados nas nossas planilhas com os históricos das empresas, e a partir disso utilizamos fórmulas proprietárias para rankear as ações com maior margem de segurança (fórmulas inspiradas no trabalho de Benjamin Graham e Joel Greenblatt, com ajustes próprios). E também usamos indicadores específicos para iniciar a análise em certos setores, por exemplo para commodities usamos P/VP, construção usamos EV/Vendas, e após identificar barganhas começamos a análise operacional do negócio, e o ciclo de mercado em que está, por ex o ciclo da commodity em si ou ciclo de juros para o setor de construção. -- IV: Como você faz o valuation de uma ação: DCF, Múltiplos, TIR implícita, um mix dos anteriores, …? PM: A última vez que fizemos um DCF foi no MBA. E pior que é verdade, usamos majoritariamente múltiplos. Nas nossas fórmulas usamos principalmente EV/EBIT, CAGR de lucros e ROIC. Claro que tem múltiplos que funcionam melhor para alguns setores, por exemplo P/E e ROE para bancos. -- IV: Como você gosta de construir o seu portfolio de ações, considerando número de empresas, setores e concentração? PM: Em torno de 20 posições long-only. A premissa é estar barato, não diversificamos apenas por diversificar, assim como já chegamos a comprar quase todas empresas de um mesmo setor pois o setor inteiro estava muito barato (setor de educação final de 2024 início de 2025 por exemplo). -- IV: Com que frequência você gosta de rebalancear a carteira? PM: A cada 2 meses mais ou menos. Por exemplo: a maioria das nossas posições ficam em torno de 5% da carteira, e são posições de alta volatilidade, então pra balancear tem que haver uma diferença de uns 2% pra gente aportar ou reduzir. E também raramente colocamos mais que 8% em algum ativo. -- IV: Quanto tempo em média mantém uma posição na sua carteira? PM: Investimos majoritariamente em small caps, então o mercado às vezes pode demorar para reconhecer e precificar corretamente uma empresa. Por isso, definimos um prazo de maturação da tese entre 2 e 3 anos, sempre partindo da premissa de que compramos muito bem. Mas podemos simplesmente zerar uma posição a qualquer momento se identificarmos que a tese perdeu fundamento (por causa de algum fato relevante ou simplesmente resultados ruins). -- IV: Você acredita que a análise gráfica, juntamente com a análise fundamentalista, pode ajudar nos pontos de compra e venda de ações? PM: Como eu vim de um background de gestão e finanças, eu sempre gostei mais de análise fundamentalista, e pra falar a verdade no começo da minha jornada eu achava análise técnica perda de tempo. Porém hoje em dia, depois de estudar mais eu até uso de forma auxiliar, mas jamais de forma primária na tomada de decisão. No Varrock usamos muito pouco. -- IV: Quais são os seus setores favoritos na Bolsa? E os que você evita? Por quê? PM: Compramos absolutamente qualquer setor que esteja barato, mas somos muito rigorosos com preço da compra, por isso tem setores que acabam ficando historicamente de fora dos nossos investimentos, como por exemplo o setor de tecnologia que geralmente tem múltiplos mais caros e a análise tem que ser feita mais pela ótica do crescimento. -- IV: Você usa stop loss? Onde costuma colocar? PM: Não. -- IV: Você usa derivativos? Qual a sua estratégia? PM: Não. -- IV: Qual a ação brasileira com o maior potencial de alta (ou melhor risco/retorno) na sua carteira hoje? Poderia explicar sucintamente o case? ... Para ler a melhor parte da entrevista: >>> Link na Bio <<< Não é recomendação de investimento.





















