Ricardo
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Ricardo
@rcrdlvr
Comentários sarcásticos, reparos desnecessários, constatações desagradáveis e factos desinteressantes. Cavaet Emptor.
Portugal Katılım Haziran 2018
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@FontePremium Vais borrar essa cara com merda no fim deste mercado. Nem Félix, nem arruabarena, nem villadsen
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epah, com o maior respeito do mundo, vai para o grande caralho que te foda.
o Pepe acaba de ser expulso por ter uma atitude de criança aos 90'.
o capitão do clube, supostamente o exemplo, faz merda num jogo desta dimensão mas o que importa é isso? deixem de ser burrinhos.
Mercado Azul@_mercadoazul_
Respeito 💙
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A velhice é traiçoeira. Apanha-nos de surpresa. Num momento é inexplicável como alguém com quase 90 anos continua com uma saúde de ferro… noutro, do nada, as coisas começam a mudar.
Hoje apercebi-me que a velhice começa finalmente a ganhar. Ela não gosta de tirar fotografias. Diz que já não está bonita. Então tenho de a apanhar desprevenida.
Sempre gostei de falar com a minha bisavó. Agora, começa a perder-se nas frases, repete-se muito e do nada fica contemplativa. Mas por vezes saca umas jóias do nada.
Hoje falou das irmãs. Do tempo em que trabalhavam juntas na mercearia do meu trisavô. Da mais velha que batia nos bêbados quando insistentemente a pediam em casamento. Da outra, que uma vez a empurrou ao tanque “‘não sei o que lhe deu, queria-me afogar”. Riu como uma criança quando disse “eu era a mais inteligente delas todas porque fui a única que acabou a quarta classe”.
No outro dia, durante uma visita ao médico, cruzou-se com um homem que se lembrava dela. Uma vida de 90 anos não se pode lembrar de todas as caras. “Você deu-me de comer a mim e aos meus irmãos muitas vezes, quando os meus pais não tinham o que dar” disse-lhe.
“Sabes Gaspar? Eu fui mãe deles todos. Os pais iam para o monte e deixavam os filhos todos sujos, a cagar no chão e sem o que comer. Vinham ter comigo coitados. Quando os pais voltavam até a roupa lhes tinha lavado. Naquele tempo era miséria a sério” relembrou.
“Vi muita criança a morrer. Chegavam à escola todos sujos e agarrava-se a mim. Passava noites com máquina de costurar a remendar-lhes as roupas. A altura que fui mais feliz foi quando fui funcionária da escola primária”.
Ainda hoje, sempre que regresso ao Gerês conheço alguém que me fala da Dna. Augusta e do que ela fez por eles. Uma vez disseram-me que “ela era a verdadeira Presidente da Junta”. Mas nunca foi rica. Nunca precisou de ser.
Vive uma vida modesta porque foi sempre assim que viveu. Mas para ela a vida em comunidade sempre exigiu compaixão e solidariedade. Senão não é uma comunidade. É outra coisa qualquer, mais fria e mais cinzenta.
Acabou a conversa a perguntar-me “como é que anda o Celinho?”. É assim que trata o Presidente da República. Gosta muito dele porque é “um bom homem”. “O meu sonho era conhecer o Presidente”. Talvez um dia realize o sonho.

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