
A minha Figura do Ano 2025: o Presidente Daniel Francisco Chapo Quando 2025 começou, muitos perguntavam como Chapo governaria num ambiente de forte tensão pós-eleitoral: manifestantes nas ruas, pressão nas estradas com portagens e apelos ao não pagamento, resistência ao pagamento de alguns serviços do Estado (como o fornecimento de água potável), e pressão sobre a Polícia na via pública e nos postos policiais nos bairros periféricos aos centros urbanos. No plano externo, o País enfrentou igualmente choques relevantes: o desmantelamento/encerramento da USAID afectou o financiamento no sector da saúde; e o projecto Millennium Challenge (MCA/MCC) ficou sob incerteza. Ainda assim, houve sinais claros de mitigação: Moçambique e os EUA assinaram um acordo bilateral de cooperação em saúde, reforçando o apoio ao Sistema Nacional de Saúde e aliviando parte do impacto; e os EUA confirmaram a continuidade do Compacto do Millennium Challenge em Moçambique, devolvendo previsibilidade a esse dossiê. No campo da segurança: os raptos que afectavam empresários (incluindo de origem asiática) mantiveram as zonas urbanas sob forte preocupação. Alguns problemas foram resolvidos e outros mitigados, mas é notório o empenho do Presidente na busca de soluções, num primeiro mandato em que, ao contrário do “período de adaptação” que muitos líderes têm, foi preciso correr desde o primeiro dia. Relativamente a Cabo Delgado, foi celebrado o Acordo sobre o Estatuto das Forças (SOFA) entre Moçambique e o Ruanda. Entretanto, persistem focos de insegurança e continuam a registar-se ataques por parte dos insurgentes, que provocam deslocamentos massivos, sobretudo de mulheres e crianças. Não há sinais de que o Governo esteja a abrir espaço para um diálogo com os insurgentes, mantendo-se a opção militar como via para resolver o conflito em Cabo Delgado, uma abordagem cujo sucesso, a longo prazo, se afigura pouco provável. Destaco ainda o Diálogo Nacional Inclusivo, que abre palco para diferentes actores reflectirem e apresentarem desafios e soluções para o futuro de Moçambique. Em termos internacionais, Chapo foi recebido em praças relevantes do Ocidente e da África Austral, manteve pontes com o Sul Global (com destaque para o Brasil e a visita do Presidente Lula), e Moçambique registou novos movimentos diplomáticos, incluindo a abertura de embaixada da Ucrânia e iniciativas de cooperação, como na aviação civil. Somam-se sinais de confiança económica, com anúncios de retoma ligados a grandes investidores energéticos. No fim, apesar das eleições conturbadas, Moçambique manteve a linha constitucional de ser amigo de todos e não inimigo de ninguém. Reconheço que há quem discorde de mim, e respeito. Há quem sustente que houve fraude eleitoral. Ainda assim, assumo esta liberdade de pensamento: na minha leitura, 2025 foi um ano em que, apesar das turbulências, Moçambique evitou cair numa espiral de instabilidade pós-eleitoral. Por isso, para mim, Daniel Chapo é a Figura do Ano 2025.
























