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O juiz injusto
Desde quando juízes injustos existem? Pode-se dizer que desde sempre. Jesus Cristo quando andou na terra em seus ensinos fez referência a um juiz injusto. Ou seja, dois mil anos atrás e já desde aquela época sabe-se da atuação de juízes injustos em sociedades. A questão aqui não é como um homem é reconhecido como juiz pela sociedade, se é seu diploma, seu trabalho, sua oratória, qualidades morais ou se é nomeado por alguma autoridade daquele tempo e localidade. Jesus disse "um juiz injusto", então supõe-se que a sociedade, em qualquer tempo e localidade, também reconhece o quão injusto ou justo é a decisão de um juiz.
Jesus usou como referência um juiz que não temia a Deus e nem respeitava os homens. Ou seja, a sua decisão de juiz não era conforme o crivo de uma religião como acontece em tribunais teocráticos. Esse também não fazia deferência deste homem ou daquele homem, réu ou acusador, para proferir o seu juízo. Mas que ele era injusto, reconhecidamente injusto, pois ele sabia quando se fazia necessário a justiça ser aplicada para mediar as partes e dar uma decisão pacificadora de justiça para ambos os lados, mas não aplicava.
Ou seja, esse juiz injusto também sabia quando estava se esquivando de aplicar a justiça que lhe cabia aplicar por direito e obrigação. Ao pobre e ao rico. Conscientemente ele podia se omitir, por diversos sofismas, de aplicar a pena e o direito. Então não bastava a carteirada dos seus diplomas, títulos, relevância do cargo para fins políticos, bastava a simples vontade de ver a justiça ser aplicada, ou a falta dela. Por que ele era um juiz injusto? No relato Jesus não fala qual era a motivação desse homem ser um juiz injusto, diz apenas que era injusto.
O que faz um juiz ser injusto em suas decisões? Precisa de motivação para ser injusto? Maldade pela maldade, por exemplo? Aqui no caso desse juiz injusto, citado por Jesus, é apenas uma conveniência pessoal momentânea. Só por questão de conveniência. Acordou de mau humor? Não agradou da cara deste ou daquele réu? Não recebeu os devidos cumprimentos, deferências ou referências dos advogados das partes? Não teve o seu serviço reconhecidamente bem pago? Ninguém sabe o que exatamente. Claro, ali Jesus não diz, pois trouxe esse exemplo apenas para falar da perserverança no clamor pela justiça.
Porém esse juiz era tão injusto que foi a conveniência de não querer ser constantemente incomodado que falou mais alto que a consciência moral de prestar um bom serviço e uma justiça em medida justa. Com o tempo as pessoas reconhecem os dois pesos e duas medidas aplicadas por um juiz. As pessoas passam a reconhecer as decisões jogadas para a "galera".
Então de repente, diante da insistência da viúva pobre, o juiz injusto se reconhece como alguém que não teme a Deus, não respeita os homens, mas não quer ser incomodado. Para não ser incomodado ele vai liberar a justiça que já cabia à pobre mulher. Ele sabia que ela tinha esse direito. O único momento de consciência que ele teve é que se reconheceu como um homem sem o temor de Deus, e como um juiz interesseiro. Vejam só, então o juiz injusto não quer ser incomodado a que seja obrigado a aplicar a justiça, pois ele aplica para quem ele quiser e como quiser, por estar resguardado de críticas. Como o obrigar um juiz a ter a consciência que o faça proferir decisões justas?
Mesmo não relatado no texto bíblico a viúva pobre tinha nome, e o adversário dela e o juiz também tinham nomes. Aqui não cabe aquela interpretação de justiça social ancestral e hereditária. A justiça precisava ser aplicada para a viúva por aquele juiz na localidade e temporalidade onde lhe cabia o dever de ser um juiz justo. O alvo da justiça era um indivíduo e não uma coletividade subliminar, anônima, de classe, pois se fosse isso, a justiça nunca seria aplicada. Afinal, não é todo mundo que é uma viúva pobre.
Quantos mais juízes injustos haverão sobre a face da terra? Sempre haverão, então façamos como a viúva pobre pois fala sobre o dever de orar sempre, e nunca desfalecer quando clamarmos por justiça.
Um juiz precisa ser incomodado para que ele aplique corretamente a justiça conforme as leis do seu tempo? Ou permitir que ele use dois pesos e duas medidas?
Ouvi o que diz o esse juiz injusto!
O texto bíblico em questão: Lucas 18:2-6
Havia em certa cidade um juiz que não temia a Deus, nem respeitava os homens. Havia também naquela mesma cidade uma viúva que ia ter com ele, dizendo: Faz-me justiça contra o meu adversário. E por algum tempo não quis atendê-la; mas depois disse consigo: Ainda que não temo a Deus, nem respeito os homens, todavia, como esta viúva me incomoda, hei de fazer-lhe justiça, para que ela não continue a vir molestar-me.
E então Jesus disse: Ouçam o que diz esse juiz injusto.
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