Sergio Motta retweetledi

Esse pessoal sempre repete isso, mas já repararam que nunca aplicam a lógica pra eles mesmos?
Vamos pegar os Twitter Files de exemplo, que tal?
Mundo físico: imagina um bar. Um belo dia, quando o bar está abrindo e ninguém está olhando, chega um guarda, dá um murro na mesa e informa pro dono que, no próximo ano, cada vez que um dos clientes no bar disser uma de determinadas frases, todas associadas a determinado grupo político, o dono do bar vai ter que tirar foto, pegar todos os dados da pessoa que falou e repassar pro governo.
Ninguém sabe o que o governo vai fazer com esse banco de dados de oposicionistas. Em tese, poderia fazer o que quisesse, inclusive fazer pente fino na vida dessas pessoas pra encontrar alguma infração que, supostamente, não tem nada a ver com a frase que disseram, para puni-las por isso. Nem vão saber que, na verdade, é porque disseram as frases.
O dono de bar diz: "Mas como assim? Desde quando falar essas frases é ilegal? E desde quando eu sou obrigado a trair a confiança dos meus próprios clientes espionando eles para o Estado?"
O guarda fica bravo: "Tá me desafiando? Pois eu vou mandar pro parlamento um PL das Frases Proibidas. Aí vou vir aqui toda manhã e você vai ser obrigado a me entregar um relatório mostrando que tá expulsando os clientes quando eles falam uma das coisas que eu proibir. E, se eu achar que você tá dando migué e não tá expulsando de verdade, vou poder estalar o dedo e decretar um 'protocolo de segurança'. Aí você é que vai ser responsabilizado em dinheiro cada vez que um cliente denunciar que tem alguém no bar falando uma das frases, até você falir."
Depois que o guarda vai embora, o dono do bar chama a atenção dos clientes: “Vou explicar pra vocês como o PL das Frases Proibidas pode piorar a sua experiência no bar. Conversem com seus representantes pra eles votarem contra.” Aí ele conta como vai ser a lei. Os clientes entram em pânico e lotam a porta da câmara legislativa pra pressionar os parlamentares, perturbando a rotina da casa.
Vendo aquilo, o guarda volta furioso pro bar, indicia o dono por “tentativa de abolição do Estado democrático de direito” (porque perturbou o funcionamento da câmara legislativa). Obriga o dono, para não ser preso, a ler em voz alta para os clientes um textinho que o próprio guarda escreveu, onde ele desmente tudo o que tinha dito, fala que o PL é ótimo e confessa ter praticado crime, ao incitar os clientes a coagirem parlamentares (mesmo sabendo que não tinha sido o que ele falou; afinal, o guarda tá ali olhando).
No final, a pressão sobre os parlamentares funciona e eles rejeitam o projeto. O dono do bar dá uma festa. Mas, na manhã seguinte, o guarda vem de novo e fala: “Pena que o nosso parlamento se omitiu. Agora vou ter que agir.” Dá um murro na mesa de novo e fala: “Agora a regra tá valendo mesmo assim. Quero meu relatório amanhã, senão você vai ver.”

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